Tenho tentado te apagar do coração, mas sempre penso em você. Mais à noite que no resto do dia, quando deito e em vão procuro teu abraço. As memórias surgem como um filme, daqueles romances que terminam em drama, logo começo a prantear e assim durmo. E às vezes esses pensamentos doem tanto que posso jurar que ouço um "clack" vindo do meu coração, como se ele fosse de vidro e estivesse sendo quebrado. Outras vezes, me lembro das conversas enquanto eu encaixava, perfeitamente, minha cabeça no seu abraço, e adormeço com um leve sorriso (idiota, talvez) de satisfação nos lábios. Ás vezes chego até a ouvir as canções que costumava tocar no violão. Daí depois, no outro dia à tardezinha, penso nas coisas bobas. Como quando fazia papel de tola, e você achava graça da minha braveza, e logo encontrava uma maneira de me arrancar gargalhadas, risinhos que fossem. Deixo um filme correr, como se fosse paisagem vista do trem. E se você estivesse sentado do meu lado falaria todo o tempo, e eu faria cara de séria, de quem entende e se interessa, fosse o devaneio que fosse. Ou você não falaria nada, eu pagaria na sua mão, ou você na minha; eu deitaria no seu colo, ou você no meu, tanto faz. E essa viagem, que demora tanto, logo faz anoitecer... é hora de dormir, deixar que continue invandindo minha cabeça e começa tudo outra vez. Pode até parecer idiota, mas ainda suspiro quando penso em você.
**Trem esse que comprei passagem só de ida, e agora não consigo outra forma de voltar (ou no fundo, não quero)**
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