Depois que um certo alguém me disse que eu tenho medo, parei pra refletir. Esse discurso de "sou independente e sei (e gosto) de me cuidar sozinha" não faz mais sentido. Tudo bem que, existe toda essa coisa de mulher independente, a queima do sutiens e o sucesso na carreira. Mas não adianta dizer que, vez ou outra um chamego não faz falta. Todos, principalmente nós mulheres, precisamos de um carinho na nuca, um beijinho na testa e uma puxada de cabelo mais forte, de um "vem cá minha nega". Precisamos nos sentir um pouquinho protegidas, que eles nos arranquem uns sorrisinhos bobos do rosto, que nos dêem um abraço tão apertado que perdemos o ar. E não estou falando em sair pelos bares por aí e ter um aprochego com qualquer um, não.
Tem que se ver algumas vezes, tem que ter troca de sorrisos e olhares. Tem que ficar com friozinho na barriga, pensando se é hoje que vai vê-lo de novo. Tem que se arrumar e se perfurmar, só pela hipótese de que ele pode estar lá. Tem que se pegar pensando nele durante o dia, lembrando de alguma coisa que ele te disse, de algum beijo que foi roubado, de algum carinho que ele te fez. Não tem que ter medo de se apaixonar, ou melhor, não deveríamos ter medo.
Mas aí que está, as mulheres só se tornaram tão independetes e bem resolvidas porque em algum momento da história (para não dizer todos, e tornar meu texto feminista demais), os homens foram alguma espécie de monstro cruel que devoravam os corações de pobres donzelas apaixonadas. E essas damas de coração dilacerado, resolveram se igualar e passaram a (fingir) não se importar com os sentimentos. Se armaram fortemente contra esses tais seres, inclusive eu.
Acontece que cansei de lutar, cansei de me privar dos sorissos bobos, de ficar pensando o que teria sido se eu tivesse dado uma chance, se eu tivesse acreditado, se eu tivesse me entregado. Não vou afirmar que amanhã vou chegar e dizer: amo você! Nem que vou acreditar em cada palavrinha que eu ouvir. Mas vou tentar me desarmar sim, vou tentar curtir um pouco mais, ser menos fria e me deixar envolver. É engraçado, eu sempre achei que esse meu jeito fosse de mulher independente e alguém que vem de um outro mundo, me faz enxergar que esse é o jeito de uma menina medrosa. E por isso, entre outras coisas, eu não vejo problema algum de pessoas de mundos diferentes ficarem juntas por aí. Mas isso é outra hitória, fica pra depois.
ouvindo: Antimatter - The weight of the world

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